As pressões para que o presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, ordene uma retirada militar no Iraque se multiplicam, às vésperas da divulgação de um relatório provisório que afirma que o Governo iraquiano fracassou em seus esforços para pacificar o país.
Fontes do Governo informaram que o relatório, que devia ser divulgado no próximo domingo, seja antecipado para quinta-feira.
Segundo a imprensa americana, o relatório admitirá que o Governo iraquiano não conseguiu concretizar nenhuma das metas militares, políticas e econômicas fixadas. No máximo, obteve resultados mistos.
“Alguns são satisfatórios, outros não”, disse uma das fontes, ressaltando porém que o relatório é provisório. O principal será o apresentado em setembro pelo comandante-em-chefe das tropas americanas no Iraque, o general David Petraeus.
A iminência do relatório provisório iniciou uma chuva de críticas à estratégia do Governo no Iraque.
Nesta terça-feira, a presidente da Câmara de Representantes, a democrata Nancy Pelosi, anunciou que a casa submeterá a votação ainda esta semana uma resolução fixarndo prazos para a retirada militar do Iraque.
Em declaração, Pelosi disse que, seis meses depois do aumento de tropas no Iraque, ordenado pelo presidente George W. Bush, o país está ainda mais afundado na guerra civil. “Não há um fim à vista nem uma estratégia clara de saída”, criticou.
Enquanto o Senado abre um novo debate sobre o conflito, o legislador Christopher Bond, que tinha sido até agora um dos mais fortes apoios de Bush na guerra, afirmou que a tática aplicada não foi a correta. “Deveríamos ter criado uma estratégia contra a insurgência”, opinou.
Perguntado sobre quem é o responsável pelo erro, Bond disse que “em última instância, evidentemente, é o presidente”.
Harry Reid, líder da maioria democrata do Senado, disse que desde o aumento de tropas os EUA “perderam mais de 600 soldados, com um custo para o contribuinte de mais de US$ 60 bilhões”.
Atualmente as operações militares americanas no Iraque envolvem 159 mil soldados.
“O aumento do contingente não fez nada para reduzir a violência no Iraque”, disse Reid. Ele informou que na próxima semana o Senado vai votar um projeto para iniciar a retirada militar do Iraque dentro de 120 dias. A saída das tropas deve ser concluída até abril do próximo ano, segundo o projeto.
O líder democrata disse que o projeto conta com o apoio de todos os senadores democratas e de alguns republicanos. Entre eles estão Gordon Smith e Olympia Snowe, que prometeram seu voto.
No entanto, o projeto não contaria com o mínimo de 60 votos para fixar limites no debate e impedir uma manobra de obstrução, segundo fontes legislativas.
Nesta terça-feira, num discurso em Cleveland (Ohio), Bush se viu obrigado a enfrentar as críticas e a defender sua decisão de aumentar as tropas.
O presidente afirmou que o aumento do contingente militar só se completou há duas semanas e que ainda não apareceram os resultados de suas operações. Ele acrescentou que não vai estudar o retorno das tropas antes de o general Petraeus apresentar o seu relatório.
“Os militares é que devem nos dizer como andam as operações militares. É assim que vou atuar como comandante-em-chefe das tropas”, insistiu.
Em relação aos projetos para uma retirada, Bush utilizou os mesmos termos com os quais vetou uma resolução no início deste ano.
“Fixar um prazo para a retirada equivale a fixar uma data para o fracasso”, disse, numa declaração. EFE ojl mf
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