Mulheres infectadas com uma forma dormente da toxoplasmose têm maior chance de dar à luz meninos do que mulheres com resultados negativos para o toxoplasma, de acordo com pesquisa realizada na República Checa.
Os cientistas descobriram que a presença do parasita Toxoplasma gondii no sangue da mãe aumenta a probabilidade de a mulher gerar um filho homem. Este é o primeiro estudo a apontar a ligação entre uma infecção por parasita e o sexo de um bebê. O trabalho será publicado no periódico Naturwissenschaften.
Os pesquisadores investigaram os efeitos da toxoplasmose latente – ou dormente – no sexo de bebês humanos. A forma latente da doença não apresenta sintomas, mas geralmente se caracteriza por uma infecção que perdura por toda a vida, identificada pela presença de anticorpos para o Toxoplasma no sangue.
Foram analisados 1.800 registros de bebês nascidos entre 1996 e 2004, em maternidades particulares da República Checa. Mulheres que usam essas clínicas passam por exames de rotina para toxoplasmose. Os registros indicam a idade da mãe, a concentração dos anticorpos no sangue, partos e abortos anteriores, além do sexo do recém-nascido.
Na média mundial, para cada três crianças nascidas, apenas uma é menino. A equipe checa descobriu que as mulheres que testam positivo para o toxoplasma tendem a ter mais meninos que meninas, com a proporção chegando a dois meninos para cada três crianças nascidas, com o aumento do nível de anticorpo no sangue. De acordo com os pesquisadores, a maior sobrevivência de fetos do sexo masculino em mulheres infectadas pode ser explicada pelos efeitos do parasita no sistema imunológico.
Os autores fazem a ressalva que de para confirmar a relação de causa e efeito entre a infecção e o sexo da criança, pesquisas envolvendo manipulação – como a infecção deliberada de animais pelo toxoplasma – serão necessárias.